infiltração

priscila rôde

Categoria: Poemas

rito

para Leonardo Macedo

dia que se cumpre
tórrido
sob a magra arquitetura
do medo

os ossos estendidos
em um tempo repleto
de águas mapas fendas

ontem:
este punhal sempre ileso
ancorado à paisagem

me diz é
tempo

(e sangra)

Priscila Rôde

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falta

o olhar indigno
da figura
entreaberta –

imóvel sobre o
tempo

no peito
a fome ainda teima –

diz o que é
umidade

Priscila Rôde

íntima

reconheço essa dor
que se insinua:

o mesmo útero
a mesma entrega
a mesma magreza

abro
sobre o seu corpo
a manhã que se refez no grito –

repito a dor
num silente choro de regresso

Priscila Rôde

a criação

a vertigem dos últimos
todos eles jovens domesticados
emparelhados em pleno rubro

meu rosto imergido
neste corpo oco
subitamente não será

terminará no mesmo ponto
do mesmo espaço sem fundo
sem destino e sem doçura

encobrimos o som estridente
de todas as resistências
não sei se toco não sei se olho

não sei se morro

Priscila Rôde

arrancamos deste cubículo
todas as formas mais duras
de abismo
descobrimos que o silêncio
é infinitamente mais distante
que este amontoado de terra

Priscila Rôde

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