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(insônia)

quiasmas que se rompem
deslembram o corpo o antro
sob o chão que estala

inútil estancar a origem da coisa
exasperar a língua suprimir
a artéria a raiz uma forma

inútil

a coisa não fala.

Priscila Rôde

reconstrução 

uma forma mansa mente vaga
trincados silêncios inutilizam
o apreendido corpo

palavras de mil homens repartidos
transformam consciência em verbo
aleluias em inamovíveis nascimentos

o universo abstrato da dor:
a verbalização do espírito –
pressentir insistir no próximo instante

um minuto salvando o outro.

Priscila Rôde

rito

contorno brevidades assombros
mãos que se afagam se afogam
líquidas ruínas represadas

risível desembocadura
rio encapsulado sob o ardor
dos descumprimentos

sede atravancando pernas
dedos batentes olhos negros
desmaiados –

frágeis avencas.

Priscila Rôde

dois

penso fendas e iguarias
vozes e pálpebras maduras
que não escondem nada

o coração torto, zênite
inalterado tecido
admitindo mãos e águas

escorro dentro
o sangue ressentido
de todas as importâncias:

finco o corpo na porta
mastigo mastigo
teu nome.

Priscila Rôde

silêncio

o arcabouço indisposto
línguas que intuem
a fina dor sobre os ombros

fissuras se cumprem na pele
desdobro uma a uma
amorosamente:

é de pedra o pássaro
sal e sílica
dureza e assombro.

Priscila Rôde

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