fim

a dor e a plena forma
da coisa
a ramificação cerzindo a pele
o fogo que adere ao músculo

sabemos que é de água
esse tempo que não passa
quando termina

tudo será silenciosamente
reconstruído noutro lugar
noutro pedaço de mar

que nunca nunca mais.

Priscila Rôde

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travessia

a desordem de um voo perdido
sobre a morna manhã refugiada nos dedos

meu corpo
a sensível única cicatriz de terra pisada
hasteando a palavra que já não abre os olhos

atravessar a costa áspera do invisível amor
cair dentro dele –

abandonar a infinita substância.

Priscila Rôde

é quase sempre úmida
a parede deste silêncio
à vertigem impiedosa
o pequeno amor perdido
sob o azul que se conserva

dentro dos olhos: você
você que se move profusamente
você que é quase sempre úmido
úmido colher desta pedra o mundo
devolver o sono à noite –

sobreviver ao que não existe.

Priscila Rôde