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por Priscila Rôde

Egon Schiele

Egon Schiele

pousar de leve à sombra
meu voo enrugado meu peso de árvore
a paisagem espessa derramada sob a madeira –
o caule

despencar do céu espalhar o verde sacudir
ventilar-se por entre as arquiteturas do corpo
soltar-se do ocorrido

lamber o sol o quarto o tempo
decantar espremer os lados
desprender dos azulejos
os dias o minuto o sumo a fala

diminuir um pouco acabar um pouco
e ainda assim não encontrar
o rosto
que descansa a palavra lágrima

repor o ar das coisas
por ar nas coisas por
onde quer que seus olhos passem.

priscila rôde

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