feriado

por Priscila Rôde

última pétala de junho
descanso
para recompor os pés
soltar os dedos nos fios
perdidos pelos que seguem
o suor escorre transpassa
engorda a madeira
azulejos espelhos manchados
alinhados enfeites azuis
emputecem o teto da sala
inspiro expiro espanto
com um beijo
a mudez do poema

na cozinha
descamo cores lágrimas espinhas
lavo frutas da época.

Priscila Rôde

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