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por Priscila Rôde

tento me desfazer à tarde
enquanto desarrumam
a sala a mesa o resto
do suco de ontem –
ressequido sobre a borda
de mármore

escapar à noite
enquanto dormem os ossos
os bichos os olhos do pai –
quadros limpos úmidos e claros
abraçam meus passos doentes

olhar pra frente
abrir uma mala que comporte
minhas árvores de dentro
alguns dias de setembro
meus lábios minhas nuvens
palavras de chumbo –

pedras e pássaros
encobrem o caminho.

Priscila Rôde

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