queda d’água

por Priscila Rôde

…com alguma sorte
estou a cair do que me prende
do que me resta
torço para ser líquida…

(Carla Diacov)

a conta pendente sobre a mesa
de centro
ele espreme laranjas
respinga amarelo na blusa
estanca minha sede

estou tão triste que posso
ficar aqui pra sempre
beber o mar do vestido
curar olhinhos aguados

dedos apoiados na cadeira
sandálias coloridas seguem
o fluxo do choro da toalha

lavo o ar com um sopro
que sai do coração:

comumente morro às 9
descalça
polvilhando miçangas no batente.

Priscila Rôde

Anúncios