§

por Priscila Rôde

simples abstração
um movimento que saiba
receber assombros
afrouxar um nó de chuva
acomodar a doçura o vento
o eterno soluçar das crianças
uma meditação que me dobre
os joelhos nesse fim de quase
tarde começo do mundo
ruindo bocejando caindo
nuca beco membro abaixo
uma boca que não ladra
agora não, não depois
talvez quando não houver
quando – retrocedo:

dentro
tenho portas
que se abrem
com o tempo.

Priscila Rôde

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