Em ondas

“Agora, imediatamente, é aqui que começa o primeiro sinal do peso do corpo que sobe. Aqui troco de mão e começo a ordenar o caos.”

(Ana Cristina Cesar)

Aproximo-me desse pouso sem chão cheio, falso e ondulante. Todo meu silêncio pelo teu sossego, que não é esse – vítreo e temporal – mas, aquele, suave e estampado (brisa de maio entardecendo cenários). Sem trocos, trocas nem voltas. Todo meu silêncio pelo teu sossego para atravessar o verão, quiçá a tua ausência que arrebenta vestidos e novembros. E o meu corpo pela tua pele desfiada, caiada entre as sedes. Todo o meu adiante por qualquer trecho de primavera sua, já folheada – milagre enfeitando as paredes do ano. Não fosse o coração me parindo e me esculpindo e me alinhando em ondas, deixaria-me, então, para que durasses mais esse ponteiro, mais esse durante, mais amor-sinônimo-daquele, que não é esse…

Priscila Rôde

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About the Author

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Priscila Rôde nasceu em Salvador/BA em 02 de maio de 1991. Escreve no blog Mar íntimo (priscilarodec.wordpress.com). É Autora do livro “Para que fiques”, publicado pela Editora Penalux em 2012. Tem poemas publicados na revista Mallamargens, Samizdat, revista Capitolina Cutural, revista Cultural Novitas nº 11, LiteraturaBr, Jornal Relevo e algumas revistas digitais. Participou do E-book de frases "Apenas o necessário 2" (Editora Novitas) e da organização da antologia “Crônicas de um amor crônico”, publicada pela Editora Penalux/2015.

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9 Comentários

Corpo se torna avatar do amor que paulatina de fora. Tornamo-nos brisas desse sossego que aglutina e grita, sem sequer emitir um som. O organismo exaure todo a leveza, ocasionando um pouso desatinado, viés do sentir-que-não-é-esse, mas aquele. O coração naufraga nas ondas íntimas, caudalosas e segregadas com nosso mais lindo mote.

A gente se deduz, um na pele do outro, dilacerados no inverso inverno de nossos secos olhares que tanto almejam em amar.

Lindo texto Pri.
Beijo no seu mar!

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“[…] Todo o meu adiante por qualquer trecho de primavera sua…”

Poeta, tuas palavras florescem meus sentidos, me transbordam.
Às vezes me afogo, mas quase sempre mergulho e encontro o abrigo da poesia.

Do lado de cá, uma saudade enorme.

Um beijo.

Wendel

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