Em ondas

por Priscila Rôde

“Agora, imediatamente, é aqui que começa o primeiro sinal do peso do corpo que sobe. Aqui troco de mão e começo a ordenar o caos.”

(Ana Cristina Cesar)

Aproximo-me desse pouso sem chão cheio, falso e ondulante. Todo meu silêncio pelo teu sossego, que não é esse – vítreo e temporal – mas, aquele, suave e estampado (brisa de maio entardecendo cenários). Sem trocos, trocas nem voltas. Todo meu silêncio pelo teu sossego para atravessar o verão, quiçá a tua ausência que arrebenta vestidos e novembros. E o meu corpo pela tua pele desfiada, caiada entre as sedes. Todo o meu adiante por qualquer trecho de primavera sua, já folheada – milagre enfeitando as paredes do ano. Não fosse o coração me parindo e me esculpindo e me alinhando em ondas, deixaria-me, então, para que durasses mais esse ponteiro, mais esse durante, mais amor-sinônimo-daquele, que não é esse…

Priscila Rôde

Anúncios