Sua

Tudo pesa muito e afunda-me, densamente. Tudo me revela e me afasta desta que sou quando não sou contigo. Tudo me aborrece e todo mistério finda à margem – meu peito repartido no rebentar das ondas: minúsculos mares desfeitos; respingados corpos. Tudo enferruja os ossos, a boca, o discurso e afoga, insistentemente, as palavras que esqueci e fui quando fui contigo. Tudo pesa o peso da ausência – presença que assola as memórias sensíveis à pele. Pesa o peso do não expandido-se na sede. Tudo pesa o peso do inexistido que habita o leve – alguma parte sua tão solta desaguando feliz noutra boca. Pesa muito o teu longe sempre indo, nunca vindo, nunca breve.

Priscila Rôde

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About the Author

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Priscila Rôde nasceu em Salvador/BA em 02 de maio de 1991. Escreve no blog Mar íntimo (priscilarodec.wordpress.com). É Autora do livro “Para que fiques”, publicado pela Editora Penalux em 2012. Tem poemas publicados na revista Mallamargens, Samizdat, revista Capitolina Cutural, revista Cultural Novitas nº 11, LiteraturaBr, Jornal Relevo e algumas revistas digitais. Participou do E-book de frases "Apenas o necessário 2" (Editora Novitas) e da organização da antologia “Crônicas de um amor crônico”, publicada pela Editora Penalux/2015.

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É sopro carregado, quase uma pluma que cai como rocha, insistentemente, como delito de um coração sublevado por um olhar que o sonhava. Relegado, corpo preenchido com o peso da saudade, com o significado dos sentimentos domiciliados em nosso peito, antes amado. Pesa, tudo o que nos faz, o que torna um do outro. A distância, desaguando, desembocando mais e mais, obliterando qualquer leveza nascida no enxugo de nossas lágrimas, no entrelaçar dos nosso dedos. O que ficou, como sombra, pesa mais que uma montanha, nos aniquila ao chão, um imã que magnetiza nosso coração metalizado pelo findar do dia…

Doído! Lindo!

Beijo no seu mar… Pri!!

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Quando na sombra adormecemos
pesa-nos a luz para continuarmos seguindo
pesa-nos o tempo, o vento, o outro, o nada
pesa-nos ser, e o sonhar.
pesa-nos a sede e a saciedade,
dói-nos o espinho e a saudade
dói-nos o desistir ou o enfrentar
pesa-nos qualquer leveza
arranha-nos qualquer certeza
incomoda-nos qualquer ruína, qualquer hoje,
desespera-nos quaisquer destinos pois
nas ausências do Amor
somos um intervalo doído de nós.

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