Outras palavras

Pausou. Pousou sobre mim. Abriu-me no vazio de uma frase ruidosa e conflituada. Fez de mim o teu inabitável poema. Bastou um desvio do tempo para que no infinito, me desmanchasse. E abandonasse essa sensação de coração-batendo-céu-adentro. Fora de mim. Bem além de mim, pausou. Pousou sobre mim teus acordes. E dormiu meu sono. Acordou sonho. Bastou uma distância para que na noite me reinventasse. Bastou uma distração dentro dos dias para que eu te acomodasse, injusto, na boca. Levantei sem peito, sem respeito, sem vontade. Desde então estou te chamando – silenciosa, eterna e repetidamente – como quem não aprendeu a justificar o Amor com outras palavras.

Priscila Rôde

Prosa publicada no Jornal RelevO/Edição Nov, 2013, Pág 20.

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