Maré alta

suas águas continuam densas
tensas e dentro destas correntezas
múltiplas, únicas, minhas
discorrem suas distâncias
onde flutuo pouca, douta, rasa
apalavrando, lavando, encurtando
meus nados.

até que me faltem os choros
até que eu perca o espanto
de viver em marés impróprias
até que a manhã
de tão clara e morna
liquefaça as memórias
desocupadas dos meus versos.

e que descansem meus horizontes, meus ontens
meus eus antes e depois de um poema.

Priscila Rôde

Poema publicado no livro “Para que fiques” (2012), Pág 69. Editora Penalux.  Para garantir  o seu envie um e-mail para:  contato@priscilarode.com ou acesse a loja da Editora.

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