Dilúvio

sei que andas,
porque andas
e por quem andas
e sei o muito de mim
que abandonas a cada trama
que costuras com sangue
e peito

tu és o obscuro
mistério dessa matéria
de desejo remoto,
canção a derramar melodias
em meus múltiplos filamentos

se te ausentas,
me atrasas
se te apresentas,
configuras a nascente
atemporal dos meus anos

sei que amas,
porque amas
e por quem amas
essa memória
e sabendo-te, vou-
me deixando

sobre a dor, douta
sobre o amor, pouca
palavra muda, oca
céu aprendiz de lágrima.

Priscila Rôde

Anúncios

Obrigada!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s