Às 01:46

por Priscila Rôde

Te afirmo que isso não durará mais que o fim. E que acabaremos somados aos outros que também não duraram e não ficaram e não resistiram à beleza de não pertencer às próprias batidas. Tens lutado contra alguma coisa sem nome. Tenho lutado e renascido sobre a ignota fantasia de um dia não te querer para além do corpo. Porque te quero para além do corpo. E para além da palavra. Para além do tempo e de todas as coisas choradas sobre sentidos finitos e contornos palpáveis. É certo que isso não durará mais que o vazio deglutido. E que não conheceremos o alívio de um amor que transcende a própria ausência. Não durará, porque corres pouco, pouco, lento e com dificuldade. Porque não se aproximas. Porque és feito de memória e evaporas quando voltas. Não durará porque quando retornas já não existo. Porque é de ontem o teu tempo, e não amanhece. Desperto frisada. E já não tenho muito amor nos ombros como antes. Tenho sono.

Priscila Rôde

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