Nela

Definidos como um passado que repercute irrefutável acima de nós, sobre o fim de todos os amores que anunciam anos depois a alegria senil de nossas peles. Entre toques e atalhos de sorrisos que já esquecemos, intransferível é o ontem escondido nas marquises desses caminhos. Inadiável é te amar até a última gota. Ainda há tanto de mim coagulado no magma dessa memória que não aprendeu dimensões outras, novas e maiores, que cabe a nós agora atravessar os anos sobre a instabilidade do teu retorno. Não sejamos rudes demais. Diferentes demais. Cabe a nós agora o sabor falhado dos gostos e o bater ruidoso das asas de uma saudade que pousa em meus ombros, amarelada. Repito-me sob, como se diante dela e somente diante dela eu te soubesse me olhando de volta. Como se dentro dela você me amasse com liberdade e sem tamanho. Como se nela e somente nela você existisse. E me beijasse com um sim, sem abrir os olhos.

Priscila Rôde

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2 comentários em “Nela

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