Suspirada

por Priscila Rôde

Nada passará no vão dessas horas. E o amor continuará a ser esse eu-depois-de-você. Minguado. Cindido. A insônia de um quase fim atravessando os dias. Meu íntimo perdendo os sossegos para a palavra que não explicou presenças. Nada passará no vício dessas horas. E o amor continuará a ser essa pequena gota caída no meu poema. Uma alegria que não funciona. Alguma coisa sua desinstalando entregas, trazendo o frio pra cama. Retalhando o rosto. Encolhendo os ombros. Me deixando suspensa no mundo. Suspirada.
Priscila Rôde
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