Entre tantas

por Priscila Rôde

Guarda-me na memória dentro de um arquivo que não lembra o nome, a cor nem a forma. Dentro de duas cartas antigas, entre três estrofes completamente ilegíveis. Para atribuir essência e ardor ao esquecimento. À véspera do abraço. Enquanto refaz encontros, ganha um prêmio e resolve problemas: coleciona-me. Amontoada numa caixa de entrada, de peito e surpresas. Para me desmanchar primeiro, antes de mim, entre tantas. Leito para teus retrocessos, cabeçalho dos dias rasos: você me desperdiça.

Priscila Rôde

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